Quarta-Feira, 26 de Junho de 2019

Com medo de mudanças, trabalhadores paraenses protocolam 32% mais pedidos que o recomendado




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Em todo o Pará aumentou em 32% o número de pedidos de aposentadorias recebidos nos cinco primeiros meses de 2019 em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento da procura se deve a desinformação e ao medo das novas regras da Reforma da Previdência, que está sendo discutida no Congresso Nacional.

A endocrinologista, Beatriz Damasceno está há vários anos esperando a análise do pedido que fez para se aposentar. “Dei entrada em 2017 e até agora nada de resposta. Parece-me, pois, minha advogada quem disse, que foi aprovado e talvez agora saia. São quase três anos esperando, tentando me aposentar”, conta.

No Congresso Nacional está em debate uma Emenda Constitucional que vai mudar a forma como a Previdência funciona no Brasil. A proposta prevê uma economia de R$ 1 trilhão de reais aos cofres públicos nos próximos dez anos, mas para isso as regras sobre o benefício precisam mudar.

Nas ruas, belenenses se preocupam e afirmam que não entendem nem como o sistema atual funciona, nem como as novas regras podem afetar seu orçamento na hora da aposentadoria. “São muitas informações, tenho dúvida mesmo. Muita mudança é difícil”, disse uma mulher, enquanto outro paraense questiona: “Ela [ reforma da previdência] vai beneficiar à quem? À classe trabalhadora?”.

Como funciona? Atualmente, para quem trabalha no setor privado, há três formas de se aposentar. A primeira e mais comum é por idade. Podem se aposentar qualquer pessoa por idade. As mulheres podem se aposentar aos 60 anos e os homens, aos 65, desde que tenham mais e 15 anos de contribuição previdenciária.

Outra forma envolve um sistema de pontos que soma a idade das pessoas e o tempo de contribuição de cada um. Nesta caso, as mulheres podem pedir a aposentadoria quando esse cálculo chega a 86 e os homens, quando ele chega a 96 pontos. Por fim, também é possível se aposentar por tempo de contribuição as mulheres que trabalharam e contribuíram com a previdência por trinta anos e os homens que contribuíram por 35 anos.

Por enquanto, o cálculo sobre quando cada um recebe leva em consideração os 80% dos maiores salários recebidos. Por isso, uma trabalhadora com 60 anos, que tenha recebido R# 3 mil reais por mês e tenha trabalhado por 20 anos contribuindo com a previdência receberia ao se aposentar R$ 2.700,00.

Nova regra - A nova regra proposta leva em consideração 60% da média salarial de todos os anos de contribuição e ainda oferece um acréscimo de 2% por ano extra. A mesma mulher trabalhadora de 60 anos, com salários de R$ 3 mil reais e vinte anos de contribuição, se pedir a aposentadoria após a reforma da previdência ser aprovada, deve receber cerca de R$ 1.440 reais. Mais de mil reais a menos.

Para a advogada Priscila Hohler, quem tem direito ao benefício deve protocolar e dar entrada na requisição de aposentadoria o quanto antes, pois, neste caso, mesmo que a solicitação seja atendida após a aprovação da reforma, esse trabalhador será aposentado pelas regras atuais. Mas quem pedir a aposentadoria após a aprovação das novas regras terá se submeter a elas.

“O que está gerando o desespero do trabalhador e a diminuição da aposentadoria, mas também [desespera] o tempo de contribuição porque ele vai influenciar no valor da aposentadoria, isso já acontece na regra atual, mas na regra que esta sendo avaliada pelo congresso vai piorar em 30% no valor da aposentadoria”, explica.


Autor:AMZ Noticias com Assessoria


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