Sábado, 15 de Agosto de 2020

Cresce o número de homicídios sem solução no Tocantins e falta de respostas causa angústia




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O número de assassinatos não solucionados pela polícia tem crescido no Tocantins nos últimos anos. Foram 268 casos não esclarecidos em 2018 e mais 289 no ano passado, um aumento de 7,8%. A falta de respostas causa angústia para as famílias das vítimas e insegurança para a sociedade. Além disso, o número de homicídios também cresceu 35,4% só no primeiro trimestre de 2020.

A Maria Rita é irmã da Maria Nazaré Barbosa Pereira Dama, que foi assassinada junto com o marido e a filha em uma chácara na zona rural de Pedro Afonso, em julho do ano passado. Até agora o crime não foi solucionado. "A polícia diz que o caso não foi resolvido ainda porque aconteceu em um local muito escondido, vamos dizer assim, muito isolado e não tinha vizinhos, não tem testemunha e por isso é difícil identificar quem fez", disse.

A Polícia Civil confirmou as informações e diz que detalhes da investigação não podem ser divulgados. A resposta não ameniza a dor da Maria Rita, que se emociona ao lembrar da família e da sobrinha que vivia com ela. "Não tá sendo fácil. Perder três pessoas da família de uma forma que você não consegue imaginar o porquê", lamentou.

O assassinato dessa família faz parte das centenas de homicídios que aconteceram no Tocantins e seguem sem resposta. A morte do prefeito de Miracema, Moisés da Sercon, em agosto de 2018 é um desses casos que nunca teve resposta. Ele foi encontrado morto com um tiro, dentro do próprio carro em uma estrada vicinal. Se conclusão por parte da polícia, a família até contratou detetives particulares.

Outro caso sem solução foi o assassinato de um adolescente de 16 anos esfaqueado dentro de uma igreja na região norte de Palmas em outubro do ano passado. O crime foi filmado de vários ângulos, mas o assassino ainda não foi localizado.

O presidente da comissão de Políticas Criminais e Segurança Pública da Ordem dos Advogados no Tocantins, Thiago D'ávila Souza, afirma que falta investimento. “A OAB também tem intervindo nesse sentido de efetuar uma cobrança para que tenhamos concurso público para esses cargos de segurança e os que já tiveram também que sejam convocados de forma urgente, pois é necessário. Além disso, requer maior investimento em inteligência”, comentou.

Balanço de homicídios - Segundo o balanço anual da Secretária de Segurança Pública, o número de homicídios no estado diminuiu entre 2018 e 2019, mas voltou a subir no primeiro trimestres de 2020, quando foram registradas 111 mortes, contra 82 no mesmo período do ano passado.

Homicídios no Tocantins -  2018 - 745 mortes 2019 - 683 mortes  com redução de 8,3% - Homicídios no primeiro trimestre de 2019 – 82 - Homicídios no primeiro trimestre  2020 – 111 com aumento de 35,4% -  Homicídios a esclarecer em 2018 – 268 – Em 2019 – 289 com aumento de 7,8%

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-TO) informa que crimes contra a vida levam tempo para serem solucionados, cada um tem sua própria dinâmica e seu tempo de maturação. Ressalta que a atual gestão tem efetivamente investido na modernização da Polícia Civil do Tocantins com vistas à obtenção de maior segurança para a população do Tocantins.

Dentre as ações, a SSP-TO destaca a criação do serviço de inteligência que foi instituído no ano passado com a criação de funções de inteligência para todas as unidades policiais (delegacias) do Tocantins. Com este esforço, a Polícia Civil do Tocantins passou a ter seu próprio serviço de inteligência estruturado e trabalhando de forma articulada com a Superintendência de Inteligência da SSP-TO e com a inteligência das demais forças de segurança.

Em relação à contratação por meio de concurso público, a SSP-TO informa que está em vigência um concurso para vários cargos da Polícia Civil, com validade até 2021. Ressalta que tem realizado a convocação dos aprovados de acordo com a necessidade e disponibilidade orçamentária do Estado, respeitados os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.


Autor:AMZ Noticias com G1


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