Sábado, 24 de Julho de 2021

Projeto usa técnicas artesanais de manejo do fogo para prevenir incêndios no Pantanal




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O projeto de Manejo Integrado do Fogo (MIF) como prevenção a incêndios florestais será aplicado no Pantanal mato-grossense pela primeira vez, por meio do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações. Em 2020, 4,350 milhões de hectares - 30% do bioma – foram destruídos pelos incêndios florestais. O objetivo é evitar que isso ocorra novamente.

O uso do fogo como aliado já é utilizado em todos os outros biomas no Brasil e em unidades de conservação dos Estados Unidos, África e Austrália. Em Mato Grosso, o projeto piloto acontece na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN Sesc Pantanal) e, em Mato Grosso do Sul, no município de Corumbá e na Terra Indígena Kadiwéu. De acordo com os organizadores, o manejo reúne um conjunto de técnicas que trabalha com três pilares essenciais: a ecologia do fogo, a cultura do fogo e o manejo do fogo.

Entre as técnicas que compõe o MIF está a queima prescrita, realizada ao fim do período chuvoso e início do período da seca. A ação simula uma queima natural com que as áreas de savana normalmente estão habituadas, e tem como um dos objetivos eliminar a vegetação seca para melhorar as condições de controle dos incêndios.

O projeto escolheu três áreas para aplicar as técnicas, considerando a prevalência da flora nativa e os diferentes níveis de inundação: RPPN Sesc Pantanal (MT) com inundação intermediária, Corumbá (MS) onde alaga muito, e Terra Indígena Kadiwéu (MS) que não alaga.

Em Mato Grosso, nesta primeira etapa de reconhecimento e definição das áreas na RPPN Sesc Pantanal, unidade do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, que é a maior do país com 108 mil hectares, participaram ICMBio, Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, UFMT, Mupan/GEF Terrestre e Sesc Pantanal.

De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Christian Berlinck, foram escolhidas 12 parcelas para o experimento com queima prevista em três momentos: julho (período que antecede a seca), setembro (período da seca) e novembro (início da cheia).

A implantação do MIF é multidisciplinar e envolve 17 instituições: Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ibama/Prevfogo, ICMBio/Centro de Educação Profissional, INPE, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Polo Socioambiental Sesc Pantanal, Embrapa Pantanal, Mulheres em Ação no Pantanal, (Mupan)/GEF Terrestre, Smithsonian Institution, UFMG, UFRN, UFRJ, UnB, USP, UERJ e UFRGS.

Em 24 anos de existência, a RPPN Sesc Pantanal, fez parte de mais de 70 pesquisas nacionais e internacionais sobre o Pantanal e conta com uma representativa biodiversidade. Do total de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos na Bacia do Alto Paraguai, que totalizam 1.059 espécies, a Reserva detém 630. Isso significa que 60% destas espécies estão presentes na RPPN.

Entre as espécies ameaçadas de extinção, a RPPN possui 12. Além de ser a maior RPPN do país, a reserva do Sesc Pantanal ainda é área Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, faz parte da terceira maior Reserva da Biosfera do planeta e é um Sítio Ramsar.

Entre os benefícios que a RPPN presta à humanidade estão a purificação das águas, controle das inundações, reposição das águas subterrâneas, controle do fluxo de sedimentos e nutrientes do solo, reservas de biodiversidade e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.


Autor:Redação AMZ Noticias


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