Até meados do século passado, Cuiabá tinha 50 mil habitantes, aproximadamente. Atualmente, conta com mais de 600 mil, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 2018. Tem 325 bairros e milhares de ruas e avenidas.
Ao longo dos últimos dois séculos, a capital que nesta segunda-feira (8) completa 300 anos de fundação passou por profundas transformações, principalmente nos últimos 60 anos. Crescimento populacional acelerado: Ano de 1950: 56.204; Ano de 1960: 57.860; Ano de 1970: 103.427; Ano de 1980: 219.477; Ano de 1991: 401.303; Ano 2000: 483.044; Ano de 2010: 551.098 e Ano de2018: 607.153 (estimativa)
Nos séculos 18 e 19, a capital tinha um clima bucólico, poucos comércios e ausência de luz elétrica. A área central de Cuiabá se dividia em três ruas principais: a Rua de Baixo, Rua do Meio e Rua de Cima. As ruas de Baixo, do Meio e de Cima viraram ruas Galdino Pimentel, Ricardo Franco e Pedro Celestino, respectivamente. A maioria dos imóveis da área que se tornou o Centro Histórico de Cuiabá mantém a fachada preservada a arquitetura neoclássica do período colonial. Foram tombados patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Construídas em uma época em que não havia automóveis, as vias são estreitas e, atualmente, em trechos de duas delas só é permitido o tráfego de pedestres. Apenas a Pedro Celestino permite o trânsito de veículos. No século XVIII, nas proximidades da Praça Alencastro, onde hoje ainda funciona a Prefeitura de Cuiabá, chamado de Largo da Presidência, ficavam a Junta da Fazenda Pública, o Palácio Presidencial e a delegacia de polícia.
Classificada como melhor artéria urbana, a Rua Pedro Celestino (à época Rua de Cima), região do chamado Largo da Matriz – atualmente Praça da República – abrigava o Quartel Militar e a cadeia pública. Era considerada uma área nobre, segundo o historiador José de Mesquita, no livro Gente e Coisas de Antanho, publicado em 1978.
“A Rua de Cima, o bairro aristocrático desde os tempos coloniais reunia o elemento mais representativo da época pelos haveres, pela posição ou pela linhagem”. Já a Rua do Meio – hoje Rua Ricardo Franco – se constituía, basicamente, dos fundos das casas cujas fachadas eram voltadas para as ruas de Cima e de Baixo. A Rua de Baixo, no chamado Largo da Mandioca, ficava o Beco do Candeeiro. No início do século passado, tinha 63 casas. Segundo consta no livro Gente e Coisas de Antanho, do escritor José Mesquita, a Rua do Meio tinha o maior número de casas, 92 edificações.
“Ruas pobres de casas eram a de Cima, com 37, a Bela, que não passava de 28 e a da Fé, não excedente de 24. O Baú — todo o bairro — agrupava 60 casas. Tal a cidade: vejamos-lhe, agora, os habitantes, procurando reconstituir, através do alfarrábio censitário, a vida e o ambiente social da capital mato-grossense cento e dois anos passados”, diz.
Na região central, moravam pessoas mais afortunadas e de classe social mais elevada, a nata social da época. Conforme os relatos históricos, pelas outras ruas e bairros viviam o restante da população, em geral, com menos dinheiro. O espírito acolhedor dos cuiabanos também é destacado. “Sobreleva notas a grande quantidade de agregados existentes em quase todas as casas, o que indica o espírito acolhedor do cuiabano, que não se confina nos estreitos limites do parentesco”, frisa José de Mesquita.
A população total do município até 1960 mantinha-se em aproximadamente 50 mil habitantes. Na década de 60 duplicou, chegando a mais de 100 mil habitantes, continuando a se incrementar com levas de migrantes durante as décadas de 70 e 80. Grande parte desse contingente radicou-se na cidade. A área urbana disponível não comportava toda aquela população, razão por que foram sancionadas leis ampliando o limite do perímetro urbano em 1974, 1978 e 1982. Atualmente, são mais de 600 mil habitantes.
Autor:Pollyana Araújo com G1