A desigualdade entre negros e não negros se aprofundou durante a pandemia da covid-19, segundo estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Conforme o levantamento, essa população encontrou dificuldade tanto para encontrar colocação ou necessidade de voltar ao mercado de trabalho.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre o 1º e o 2º trimestre de 2020, 8,9 milhões de homens e mulheres perderam seu emprego ou deixaram de procurar uma colocação.
Desse total, 6,4 milhões eram negros ou negras e 2,5 milhões, trabalhadores e trabalhadoras não negros, ou seja: 71,4% eram negros, sendo 40,4% mulheres e 31% homens.
Negros e não negros se inserem de forma distinta no mercado de trabalho e a pesquisa reflete essa diferença, inclusive nos salários: enquanto homens e mulheres não negros receberam em média R$ 3.471,00 e R$ 2.674, respectivamente, no 2º trimestre de 2021, trabalhadores negros ganharam R$ 1.968 e trabalhadoras negras, R$ 1.617, aponta o Dieese.
A partir do momento em que as pessoas começaram a buscar voltar ao mercado de trabalho, a taxa de desocupação cresceu. A comparação do volume da força de trabalho do 2º trimestre de 2021 com o mesmo período de 2020 mostra que a força de trabalho negra cresceu 3,8 milhões (1,79 milhões de homens e 1,97 milhões de mulheres).
Já entre os não negros, o aumento foi de 2,3 milhões (963 mil homens e 1,38 milhões de mulheres). O nível de ocupação ainda não voltou ao que estava no 1º trimestre de 2020: em 2021, são 4,4 milhões abaixo do observado antes da pandemia.
“A inserção de negros e negras no mercado de trabalho sempre foi marcada por dificuldades muito maiores que as encaradas por não negros. Desemprego mais alto, ocupações precárias, subtutilização e menores rendimentos fazem parte dos tantos problemas enfrentados por homens e mulheres negros”, observou o relatório.A pandemia - Com o avanço da imunização, no final de 2020, os níveis de ocupação de negros e não negros comecaram a crescer. Entretanto, é possível observar que quase 40% dos negros que antes estavam na força de trabalho ainda não voltaram ao trabalho.
Segundo dados do Ministério da Saúde, os negros têm 40% mais chances de morrer de covid-19 – pois estão mais expostos. Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que eles representam 57% dos mortos pela doença, enquanto os brancos são 41%.
Autor:Redação AMZ Noticias