Domingo, 24 de Maio de 2026

China diz que soja brasileira tem pouca qualidade e requer três mudanças no grão




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A China é a maior compradora da soja brasileira, mas parece não estar satisfeita com o grão que recebe. Especialistas consideram a commodity agrícola nacional como a melhor do mundo, com atributos superiores à produzida em seu principal concorrente, os Estados Unidos.

Mesmo assim, documento formulado pela Administração Estatal de Regulamentação do Mercado e a Administração de Padronização da República Popular da China e protocolado na Organização Mundial do Comércio (OMC), estabelece que a soja importada pelo país asiático tenha maiores teores de óleo e de proteína e menor de umidade.

Se a proposta comercial for firmada entre o país asiático e seus fornecedores – o que ainda não tem prazo para acontecer – processos de toda a cadeia da soja serão fortemente impactados e o produtor terá de se desdobrar para atendê-los.

Antes de tudo, vale ressaltar que os requisitos da China tendem a substituir o padrão vigente (GB 1352/2009), que versa a respeito da integridade física dos grãos. A nova proposta ainda está em discussão, capitaneada, no Brasil, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), com participação técnica da Embrapa e Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).

Como mostra a Tabela 1 (abaixo), a proposta é que os grãos sejam enquadrados em cinco tipos, de acordo com o percentual de perfeição. Assim, começa-se no grupo 1, com 95% ou mais de exemplares ideais, até o grupo 5, com 75% ou mais de amostras impecáveis. O documento também estabelece a categoria “fora de tipo”, onde encaixam-se espécimes inferiores à quinta categoria.

Teor de óleo e proteína -  Além do aspecto físico do grão, os requerimentos chineses abrangem, também, a qualidade. Desta forma, a exigência é que a soja seja enquadrada em três grupos de teor de óleo e de proteína. Quanto ao primeiro atributo, variam entre 22% a 20%. A respeito da proteína, diferem de 44% ou mais a 40% ou mais. 

Tabela 2 -  O problema é que, a depender de testes feitos no estudo “Análise de aspectos econômicos sobre a qualidade de grãos de soja no Brasil”, de 2018, da Embrapa, atingir tais índices será um grande desafio.

Nas safras brasileiras analisadas na pesquisa (2014/15 a 2016/17), o teor médio de proteína foi de 36,69%. A pesquisa foi feita em dez estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Tocantins, que, juntos, são responsáveis por cerca de 93% da produção nacional.

O estudo também fez levantamento sobre os grãos avariados, notando que grande parcela da soja colhida nas temporadas estudadas excedeu a tolerância de 8% de exemplares defeituosos permitida por lei. Algumas regiões apresentaram amostras de até 30% com avarias, que representam a soma dos mofados, ardidos, queimados, fermentados, imaturos, chochos, germinados e danificados por percevejo.

Superioridade brasileira -  Ainda que atingir os patamares requisitados pela China pareça longínquo, o Brasil leva clara vantagem em relação ao seu principal concorrente, os Estados Unidos. Enquanto o teor médio de proteína da soja nacional nas três safras analisadas beirou os 37%, o da soja norte-americana foi de 34,7%, entre 2006 e 2015, caindo para 34,1% na temporada 2017, segundo a United States Soybean Export Council.

Desta forma, o estudo chegou à conclusão que cada tonelada brasileira de soja exportada tem 2% a mais de proteína se comparada ao grão norte-americano. Por aqui, nas 903 amostras analisadas, a porcentagem média da substância variou de 32,03% a 41,35%. O estado que apresentou a maior média no teor foi a Bahia, com 38,16%, e o Paraná foi o com a menor taxa média: 36,74%.


Autor:AMZ Noticias com Canal Rural


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