Mato Grosso passou a contar com um sistema de detecção de desmatamento em tempo real com imagens de alta resolução. Denominado “Planet”, o novo serviço de imagens por satélite permitirá à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) um monitoramento preventivo, que gera alerta de desmate e auxilia o trabalho de fiscalização.
A iniciativa é adotada em meio à polêmica da demissão de Ricardo Galvão do comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), pelo presidente Jair Bolsonaro e, ainda, pelo anuncio da Alemanha em suspender aporte de R$ 155 milhões ao Fundo Amazônia.
A plataforma foi adquirida pelo valor de R$ 4 milhões no prazo de um ano e será gerenciada pela empresa Geo-TI. O objetivo é combater a derrubada não autorizada, mas o sistema tem a possibilidade de identificar as queimadas bem como a sua extensão.
O “Imagens Planet” gera relatórios automáticos que proporcionam informações claras ao órgão ambiental e dados consistentes para possíveis punições ou autuações. É considerado extremamente moderno com imagens diárias de alta resolução que vêm de mais de 150 satélites em órbita.
A empresa analisa as imagens chamadas de “planet”, nanossatélites de 30 centímetros que monitora em tempo real a área de interesse. A expectativa é que o desmatamento caia drasticamente no Estado embora dados da Sema apontam para uma redução entre 2017 e 2018. No período, caiu de 1.561 para 1.490 a quantidade quilômetros quadrados desmatados, tendo sido, ao lado de Tocantins e Maranhão, um dos poucos Estados da Amazônia Legal a obter este resultado.
De acordo com o governador Mauro Mendes, o sistema será capaz de detectar em tempo real qualquer desmatamento acima de meio hectare com alertas reais e imagens que permitem aos órgãos de fiscalização agir antes que o dano ambiental seja maior. “Os dados são absolutamente seguros e o objetivo é ter uma ferramenta tecnológica, robusta e confiável”.
Secretária de Meio Ambiente, Mauren Lazaretti destacou ainda que há a possibilidade de o órgão fazer cooperações. “Efetivamente, vamos nos preocupar com aqueles arcos do desmatamento mais significativos sem deixar de acionar, inclusive, a polícia para fazer a primeira intervenção naqueles municípios mais longínquos. O que programamos é que teremos um centro integrado à equipe de inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública para construir um sistema grande de fiscalização”, informou.
Já ao ser indagado sobre a possibilidade de divergência dos dados com outros sistemas, a exemplo, dos usados pelo Inpe, Mendes reforçou que os dados a serem gerados pela plataforma adquirida são inquestionáveis. “O Estado de Mato Grosso comprou uma ferramenta com dados e imagens confiáveis e absolutamente inquestionáveis. Eu não conheço o sistema nacional e não preciso emitir nenhum juízo de valor em relação a ele. Eu conheço o nosso sistema e ele é absolutamente confiável”, afirmou.
No início deste mês, Ricardo Galvão foi demitido por Bolsonaro, após a divulgação dos dados do Inpe, por meio do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), apontarem crescimento do desmatamento de 88% em junho na comparação com o mesmo período de 2018, um total de 920,4 quilômetros quadrados. Entre 1º e 25 de julho de 2019, a extensão dos alertas de desmatamento já ultrapassou a marca de 1.864 quilômetros quadrados, mais do que triplicou em relação a julho de 2018. Bolsonaro disse que os números são mentirosos e pediu a demissão do diretor.
Dias depois, o governo alemão anunciou a suspensão de parte de seus subsídios a projetos de proteção da Floresta Amazônica, devido ao aumento do desmatamento no Brasil desde a chegada de Bolsonaro ao poder. O entendimento é de que a política do governo brasileiro para a Amazônia gera dúvidas sobre a continuação de uma redução sustentável do índice de derrubada da floresta.
Por sua vez, Mendes garantiu que os técnicos da empresa terão ainda autonomia para divulgar os dados. “Toda informação é pública. O Estado de Mato Grosso tem o dever de agir com transparência. Esses mecanismos de controle e detecção serão disponibilizados em relatórios mensais e nós faremos um acompanhamento muito transparente. Nós não iremos segurar nenhuma informação porque a transparência é um dos princípios básicos da administração pública”, afiançou reforçando que o Estado irá tomar todo o cuidado para evitar equívocos em relação a possível aplicação de multas.
O governador também falou sobre a questão do Fundo da Amazônia. “No Estado de Mato Grosso nós temos grandes ativos ambientais e iremos trabalhar para preservar ainda mais dentro dos limites legais todos esses ativos, mas nós também temos direito de construir o nosso desenvolvimento econômico”, disse. “Nós queremos preservar, mas não precisamos que ninguém aponte o dedo aqui, mas se querem preservar também tem que cumprir com o que eles estabeleceram nos encontros internacionais ligados ao meio ambiente em prometer recursos aos países que reduzissem a emissão de carbono, que preservassem os seus ativos ambientais colaborando com o planeta. O que Mato Grosso e o Brasil fazem é uma grande contribuição ao planeta e isso tem preço e tem que ser pago”, afiançou.
Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiabá