O padre Ramiro José Perotto, da Paróquia São Paulo Apóstolo de Carlinda, prestou depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (24) após dizer que uma menina de 10 anos vítima de estupro, que realizou aborto legal na última semana, “gosta de dar”.
Conforme o delegado Pablo Carneiro, de Alta Floresta, o pároco foi intimado na sexta-feira (21) e ouvido na segunda durante 40 minutos. Ele é investigado por crime de apologia ao estupro na modalidade de incentivo.
Em depoimento, o padre assumiu a autoria dos comentários feitos em seu perfil no Facebook. Ramiro alegou que se exaltou diante do debate fervoroso sobre aborto e por isso “foi preconceituoso em relação às vítimas de abusos sexual”, de acordo com Carneiro.
No entanto, o religioso negou que tenha feito apologia ao estupro, pois, segundo ele, isso “foge aos princípios católicos”. Após o depoimento, o delegado concluiu o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e encaminhou à Justiça, que deve marcar uma audiência.
O CASO - Os comentários foram feitos no dia 17 deste mês, em seu perfil no Facebook, após o pároco compartilhar uma publicação do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo.
Nos prints dos comentários respondendo internautas revoltados, o pároco dizia que a menina “compactuava” com os abusos sexuais por nunca ter denunciado. “Duvido uma menina ser abusada com 6 anos, por 4 anos, e não falar. Ela compactuou com tudo e agora é inocente kkk (sic). Gosta de dar então assuma as consequências”, afirmou o padre.
Em carta aberta, Ramiro assumiu a autoria das publicações e pediu desculpas. “Assumo a responsabilidade de ter proferido palavras desagradáveis, e justifico que compartilho da defesa da vida, nunca condenar e tirar julgamentos. [...] Àqueles que se sentiram ofendidos, só resta meu pedido de perdão”.
Ele disse ainda que não teve a intenção de se manifestar com “palavras de baixo calão”. Segundo o religioso, isso não representa sua fé nas pessoas. “Não foi minha intenção proferir palavras de baixo calão, as quais não comungam com minha fé e minha crença na pessoa humana”, afirmou em outro trecho da carta. Diante disso, a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual (MPE) abriram investigação contra o religioso.
Autor:Redação AMZ Noticias